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O Teu Stress Pode Afetar o Teu Bebé?

Stress Free Pregnancy

A resposta é sim, pode.

Sabemos que altos níveis de stress e excesso de ansiedade podem causar problemas de saúde, tais como pressão arterial alta e doenças cardíacas, mas quando uma mulher está grávida, este tipo de stress pode aumentar as hipóteses de ter um bebé prematuro ou um bebé com peso reduzido e um risco maior de problemas de saúde. Não esqueçamos que durante a gravidez a mãe e o bebé estão numa fusão de corpo, pensamentos, emoções e energia. Tudo o que a mãe vive também está a ser vivido pelo seu bebé. O bebé prepara-se para o mundo cá fora através das reações da mãe.

Neste artigo, vai aprender o que é o stress e como a pode afetar a si e ao seu bebé.

O que é realmente o stress?

A maioria das mulheres grávidas estão cientes dos conselhos para comer de forma mais saudável, parar de fumar, evitar o álcool, mas ouvimos muito poucos conselhos de saúde sobre o stress durante a gravidez. O stress tem perigos específicos para o bem-estar físico e emocional tanto da mãe como do bebé.


Todos já sofremos de stress de uma forma ou de outra, e o stress durante a gravidez é comum, até porque a gravidez em si, pode incitar algum tipo de stress, particularmente se a gravidez não foi planeada, e também porque a gravidez requer uma série de mudanças na vida na mulher, incluindo na sua relação, no seu trabalho, e novas preocupações.

O stress é a reação do seu corpo a um desafio ou exigência e durante a gravidez pode ser experienciado como pensamentos e emoções que a fazem sentir
-se frustrada, zangada, nervosa ou ansiosa, com uma sensação geral de tensão física ou emocional.

Por isso, acredite ou não
, quando se está sob stress é porque está a ver algo como uma situação de risco para a sua vida, a qual causa uma reação no seu cérebro e no seu corpo. Em certos momentos, o stress pode até ser positivo, uma vez que é biológico e natural, ajudando-a a evitar o perigo ou uma situação difícil. Todavia, quando o stress dura por muito tempo, pode prejudicar a sua saúde e influenciar o desenvolvimento do seu bebé.

 

De onde vem a reação de stress?

Vem de milhões e milhões de anos de evolução. Sim nós evoluímos mas, no entanto, ainda possuimos o nosso cérebro réptil, a parte mais antiga do nosso cérebro, que tem a glândula amígdala. Esta glândula é essencial para descodificar emoções, e em particular, o que é uma ameaça para o nosso organismo. Quando a glândula amígdala é estimulada há uma cascata de reações no nosso cérebro e corpo, e essas reações são conhecidas por "resposta ao stress", ou "resposta de luta ou fuga".

O stress pode surgir de várias maneiras e pode ser causado por fatores físicos, psicológicos ou até sociais, o que pode afetar o seu corpo, emoções e relações.


O que acontece ao nosso corpo quando a resposta ao stress surge?
Quando a resposta ao stress
se inicia no nosso corpo, cortamos a parte mais lógica do nosso cérebro, que nos ajuda a planear, organizar coisas, analisar e a ser mais criativos - o córtex pré-frontal - para que possamos ter uma reação instantânea.

O seu hipotálamo, que é uma região muito pequena na base do seu cérebro, aciona um sistema de alarme no corpo. De seguida, através de uma combinação de sinais nervosos e hormonais, este sistema incita as suas glândulas suprarrenais, localizadas no topo dos rins
, a libertar uma onda de hormonas, incluindo adrenalina e cortisol, também conhecidas como hormonas do stress, e é então que uma cascata de reações acontece.

Reação à resposta ao stress:
• A adrenalina aumenta a frequência cardíaca
• A pressão arterial aumenta
• O fornecimento de energia aumenta
• O cortisol aumenta os níveis de açúcar na corrente sanguínea e no cérebro
• A disponibilidade de substâncias que podem reparar os tecidos em caso de acidente também aumenta

 

Basicamente altera as respostas do sistema imunológico e reprime o sistema digestivo, o sistema reprodutivo e os processos de crescimento. Este sistema de alarme, complexo e natural, também influenciam as regiões cerebrais que controlam o humor, pode assim sentir uma tendência para o medo, ansiedade, depressão, estar sempre preocupada ou zangada.

Esta é uma resposta biológica muito forte e é destinada a
ter uma curta duração, uma vez que foi feita para a nossa própria sobrevivência. No entanto, a ativação a longo prazo deste sistema de resposta ao stress, e a sobre-exposição ao cortisol e outras hormonas do stress, pode perturbar quase todos os processos do seu corpo.

Isto coloca-
a em risco acrescido de muitos problemas de saúde, incluindo:
• Ansiedade
• Depressão
• Problemas digestivos
• Dores de cabeça
• Doenças cardíacas
• Problemas no sono
• Problemas de memória e concentração

É por isso que é tão importante aprender formas saudáveis de gerir o stress na sua vida.

 

Porque é que o stress é tão frequente no nosso dia-a-dia?

Em muitas das nossas culturas ocidentais em vez de cultivarmos um ambiente de tranquilidade e observação, como o que tínhamos antes na natureza, um ambiente bom e saudável para processar todas as nossas atividades e alcançar bons níveis de desempenho (por exemplo, o ambiente que precisamos no trabalho, em casa, especialmente mulheres que estão sempre a fazer várias tarefas em simultâneo), vivemos num ambiente que está sempre a exigir uma reação rápida de nós. Estamos a reagir muito enquanto devíamos estar a poupar a nossa resposta natural ao stress apenas para situações em que realmente precisamos dela, para sobreviver numa situação difícil.

O problema é que a reação ao stress é uma reação muito forte tanto física como emocionalmente, posto isto é um padrão que pode realmente tornar-se um hábito
nas nossas vidas.

 

O que pode o stress causar às mulheres grávidas e aos seus bebés?

É muito importante que as mulheres grávidas controlem o stress porque o ambiente que existe lá fora está a provocar uma reação de resposta no corpo e na mente da mãe, nos sentimentos e pensamentos da mãe. O que quer que se esteja a passar com a mãe também poderá ser transmitido ao seu bebé.

O bebé, no útero da mãe, está a sentir todas as experiências e reações da mãe como se fossem as próprias experiências, para melhor se preparar para a vida após o nascimento, aumentando as hipóteses d
a sua sobrevivência.

O bebé está a aprender a reconhecer o ambiente exterior através dos sinais internos da mãe.

Sabemos agora que, na conceção, os programas genéticos do ADN de cada progenitor são transmitidos à primeira célula da criança, todavia a ciência da epigenética revela que durante a gravidez, estes programas podem realmente ser ativados ou não, ou até modificados, de acordo com a qualidade de vida da mãe grávida, bem como a qualidade do ambiente em que se encontra. Quando uma mulher está grávida, a sua experiência torna-se informação que organiza o desenvolvimento do bebé e é gravada em todas as células.

Assim percebemos que os bebés são muito mais sensíveis do que pensávamos e a responsabilidade de uma mãe alarga-se para além da ligação física e estende-se para a qualidade do que a sua mente experiência, os seus pensamentos, emoções, e até mesmo a sua visão do mundo exterior.


Assim, se a criança nascer numa situação de sobrevivência stressante e se a natureza mais primitiva do bebé
for ativada muitas vezes durante a gravidez, os estudos mostram que a criança tem uma cabeça com circunferência menor, menor proencéfalo e maior rombencéfalo, glândulas suprarrenais maiores, isto porque o sinal emocional que a mãe está a vivênciar também está a moldar o corpo do bebé para melhores hipóteses de sobrevivência, se tiver de enfrentar o mesmo ambiente que os seus pais.

Investigadores da Universidade de Zurique descobriram que o stress pode influenciar o metabolismo na placenta e o crescimento da criança por nascer. Se a mãe estiver sob stress durante um longo período, a concentração de hormonas de stress no líquido amniótico aumenta tornando o fluido amargo e fazendo com que o bebé beba menos. O fornecimento de oxigénio ao bebé também pode ser menor. Há um aumento da probabilidade de ter um bebé com baixo peso,
de ser um bebé prematuro, e de o seu filho ter problemas de saúde mais tarde na vida.

As mães que experienciam sentimentos de ansiedade, frustração e depressão durante a gravidez estabelecem uma ligação e conexão mais fraca com os seus bebés, influenciando o trabalho de parto e toda a experiência pós-parto. Daí ser tão importante para uma mãe estar bem informada, aprender a ter os meios, as estratégias e ferramentas para trazer harmonia aos seus sentimentos e pensamentos, para o melhor início da vida do seu bebé.

Quando praticamos a paz interior durante a gravidez, praticamos momentos de respiração profunda e relaxantes que nos ajudarão a voltar
a atenção para o nosso corpo, para estarmos mais conscientes das nossas necessidades e nos conectarmos profundamente com o nosso bebé. Ficamos mais conscientes de quem somos, das nossas emoções e reações, e somos assim mais capazes de tomar melhores decisões para nós e para o nosso bebé.

    

Quem sou eu?

Olá! Eu sou Susana, sou educadora prénatal e professora de yoga. No meu dia a dia, se não estou com meus 3 filhos, eu ajudo e dou apoio às necessidades das novas mães e dos seus bebés. Sou a fundadora do Programa Yoga para Grávidas, Yoga pós-parto e Yoga para Toda a Famílias, autora do livro Yoga e Maternidade, membro da APPPAH (Associação de Psicologia e Saúde Pré-natal e Perinatal) e Presidente da Associação Norueguesa de Educação Prénatal. Para mim a gravidez, nascimento e maternidade conscientes envolvem uma conexão muito mais profunda connosco próprias, com o nosso corpo, com as nossas emoções, com o poder da maternidade em nós, e uma conexão mais profunda com bebé. Tenho mais de quinze anos de experiência como professora de yoga e hoje orgulho-me de ter ajudado centenas de mulheres um pouco por todo o mundo.


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O Livro

O livro Yoga e Maternidade é o primeiro livro em Portugal, de uma autora portuguesa, dedicado aos benefícios do yoga durante a gravidez, para aliviar o stress e o desconforto típicos deste período, e para estimular o vínculo entre mãe e bebé.

Começando pela sua experiência pessoal de três gestações, educadora pré-natal e experiência da prática do yoga por mais de 20 anos, Susana Lopes oferece neste livro uma série de técnicas de respiração, posições, meditações e relaxamentos, adaptados às necessidades específicas das mulheres e que lhes permitem sentirem-se mais presentes em todas as diferentes fases da sua gravidez, aumentando o seu bem-estar, autoconfiança e oferecendo uma maior conexão e comunicação com a vida que está a ser gerada dentro de si.

Esta é uma leitura inspiradora acompanhada de fotos, ilustrações e informação acessível a mães, professores do yoga e profissionais que trabalham com gestantes.

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