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O que esperar do parto e pós-parto

Stress Free Pregnancy

Quando estava grávida do meu primeiro bebé, li livros e artigos sobre a gravidez, trabalho de parto e nascimento. Pensei que estava 100% preparada, no entanto esse não foi o caso. As coisas podem descontrolar-se se não estivermos consciente de diferentes aspetos do trabalho de parto e do parto em si. Partilho aqui algumas das coisas que gostaria que me tivessem ensinado antes de ir para o hospital.

Se eu e o meu marido estivéssemos mais informados, teríamos tomado decisões mais bem informadas, sabendo as vantagens e contraindicações das nossas decisões não só para mim, mas também para o nosso bebé. Neste artigo, v
enho expor diferentes situações que podem esperar do trabalho de parto e do próprio parto, coisas que gostaria de ter sabido antes, e que me surpreenderam a mim e, muito provavelmente, a muitas outras mulheres.


A data de parto
A data de parto é uma data prevista para o parto – uma estimativa que não está garantidamente correta. Normalmente, é calculada a partir da contagem de 40 semanas após o primeiro dia do último período menstrual. Esta estimativa não é totalmente fiável, por vezes as mulheres não se lembram desse dia com exatidão e outras ainda têm pequenos fluxos de sangue no início da sua gravidez.

A data de parto pode ser estimada com precisão, baseando-se em ecografias nas primeiras doze semanas de gravidez. Mas os ultrassons também não são inteiramente precisos. Devido a erros frequentes desta estimativa do início da gravidez, os médicos e parteiras podem ajustar a sua data do parto. Muitos pais ficam ansiosos, como eu fiquei e sentem-se pressionados a tomar decisões porque a data de parto já passou. Contudo, se não houver problemas específicos, o bebé muito provavelmente está bem e deverão esperar pela última fase de desenvolvimento dos seus pulmões e cérebro antes da tomada de qualquer decisão, se realmente tiverem de a tomar. Dar à luz o seu bebé demasiado cedo pode trazer complicações ao seu sistema respiratório, dado que os pulmões ainda podem estar subdesenvolvidos. A razão do “atraso” da chegada do seu bebé é normalmente desconhecida e nascer após a 40ª semana raramente é prejudicial. No entanto, para estar tudo mais seguro, o médico e a parteira irão provavelmente começar a fazer mais exames para ver como está o bebé. É o bebé, através da placenta, que dá a informação hormonal à mãe que está no momento do seu nascimento, então porque não esperar e não precipitar?

O tampão mucoso
Esperei muito pelo meu primeiro bebé e a primeira coisa que me mostrou que o parto estava perto foi a libertação do tampão mucoso. É uma bolha de muco que se mantém no colo do útero para impedir que as bactérias entrem. Não é o melhor indicador de que o parto esteja a começar, ainda pode levar algumas semanas para que aconteça, mas é definitivamente um sinal de que está a aproximar-se! Por isso não tem de ir a correr para o hospital, mas deve informar quem a está acompanhar.

O sangue

É possível que perca um pouco de sangue e muco, especialmente se libertou o tampão mucoso. Este sangue é um indicador melhor de que o trabalho de parto se aproxima, visto que significa que o seu colo do útero está a "amadurecer" e a preparar-se para o parto. Por incrível que pareça, este sangue não a vai assustar, é um sangue sagrado que anuncia algo mais grandioso. Muitas mães sente-se gratas por este líquido mágico da vida quando o vêm a escorrer pelas suas pernas e começam a honrar mais o seu fluxo e os seus ciclos mensais, portadores da vida. Pode até nem se aperceber do que libertou se for à casa de banho durante a noite e não estiver atenta. Relaxe, isso também é normal.

O rebentar das águas
O rebentar das águas pode dar-se por si só antes de começarem as contrações, o que muitas vezes acontece, e isso não significa que o parto ou as contrações estejam prestes a começar. É apenas tempo de se preparar! É “okay” ficar em casa, falar com o seu prestador de cuidados de saúde e esperar. Parece que está a fazer muito xixi e com cada contração poderá fazer ainda mais. Se as águas rebentarem e tiverem “meconio” significa que o bebé fez cocó dentro da mãe e provavelmente será necessária uma equipa para a assistir, apenas para garantir que o bebé está bem após o nascimento.

O trabalho de parto pode demorar muito tempo
Não importa o que lhe digam, o trabalho de parto é imprevisível e a ginecologia não é uma ciência exata, visto que pode levar muito tempo a empurrar o seu bebé para fora. Especialmente se for a sua primeira gravidez poderá sentir contrações, desconforto e dor, embora com irregularidade. Poderá ainda ter de esperar até uma semana ou às vezes mais, no período de pré-parto, antes de começar efetivamente o trabalho de parto ativo! Em alguns casos pode ser rápido, mas na maioria dos casos, o período pré-parto demora bastante tempo.

 

Por norma, os hospitais dão-lhe 12 a 14 horas de espera antes de começarem a pedir-lhe para tomar decisões sobre a sua situação e como as coisas se estão a desenvolver. Algumas mães ficam até 30 horas no hospital para dar à luz, embora não seja frequente. Por isso, em conjunto com o seu parceiro, devem estar cientes do tipo de procedimentos com que se sentem confortáveis ou não. Antes de irem para o hospital devem de ter um plano do que desejam, para poder dar ao pessoal médico, antes do parto, ou ao fazer o check-in, caso se sintam pressionados a tomar decisões. Se está em casa ou num centro de nascimento, as coisas tendem a desenvolver-se com mais calma porque o hospital é um sistema com regulamentos e devem estar ciente deles, por isso, não tenha medo de questionar ou fazer perguntas desconfortáveis sobre diferentes cenários.

Ser paciente, ir-se ajustando e não lutar contra o desenvolvimento do parto, faz parte da rendição que todas as mães têm de fazer para ter o bebé nos seus braços. Atualmente vejo que existe muita tendência para tentar controlar todos os aspetos do trabalho de parto. Todavia o trabalho de parto não tem por base o controlo, trata-se sim de uma rendição, aceitação, confiança no processo natural do nascimento e da vida. Não existe apenas uma contração muscular, muito embora seja apenas disso que se fala muito, mas também uma EXPANSÃO, O corpo abre-se para dar lugar à passagem de todo o universo. Posto isto, encontre coisas para fazer que a ajudem a passar o tempo de uma forma descontraída e calma, escolha uma boa equipa de apoio para encorajá-la e nunca para a stressar, apenas para a amar e ser gentil consigo, mesmo quando não conseguir ser gentil com as pessoas que a rodeiam!

Permita-se expressar o que quiser da forma que quiser
Durante o trabalho de parto ativo, uma mãe deve ser capaz de chorar ou sorrir, ser mais ou menos gentil, falar suavemente ou gritar, como eu tive oportunidade de o fazer. Deve sentir-se num ambiente seguro, com pessoas que a apoiam “no matter what” para se puder expressar livremente. Podem surgir muitas emoções que não está à espera durante o trabalho de parto. É importante escolher uma equipa que não a julgue, que a ame e apoie incondicionalmente, que lhe dê coragem durante o processo, dizendo-lhe palavras amorosas e encorajadoras que a permitam voltar a si mesma, para o seu corpo e para o seu bebé. Já é uma grande mãe e, independentemente das escolhas que faça durante o trabalho de parto, nada a fará ser pior mãe. É a mãe perfeita para o seu bebé, ninguém lhe pode tirar isso, especialmente durante o trabalho de parto.

Vomitar
Sim, pode vomitar durante o parto, umas vezes pelo parto em si, visto que o seu corpo está a ajustar-se, outras vezes pela dor ou até mesmo pela medicação para a dor. Prepare-se para tal, porque pode acontecer.

Pode fazer cocó ou ter diarreia
Poderá nem sequer notar, mas no parto, é possível que faça cocó. É bastante comum, dado que os mesmos músculos que se usa para fazer cocó são usados para empurrar o bebé para fora, logo poderá acontecer. É totalmente normal!

Check-in no seu local de nascimento
Dependendo do lugar que escolheu para dar à luz e se não for em casa, pode demorar até a admitirem. Quando tive o meu segundo bebé tive de esperar até estar 4-5 cm dilatada para poder ir para o meu quarto privado. Antes de entrar, eles verificam-na e se nada se tiver desenvolvido, mesmo que possa sentir contrações e algum desconforto, eles mandam-na ir para casa e voltar mais tarde no dia seguinte!

Exame vaginal
Se estiver num hospital, durante o parto, será vista várias vezes, onde está dilatada. Não é algo que se goste, especialmente se já estiver em trabalho de parto ativo e tem o direito de autorizar o procedimento ou não, há outras formas de ver se você e o seu bebé estão bem! E, se um grupo de estudantes de medicina entrar na sala e perguntar se podem vê-la no seu momento privado de trabalho de parto, pode dizer – não! Será melhor ainda falar sobre isso anteriormente com o seu médico! Prepare-se porque pode acontecer!

Monitorização
Se estiver num hospital, provavelmente irão colocá-la em monitorização para verificar o batimento cardíaco do bebé e as contrações, terá duas grandes fitas circulares amarradas à sua barriga. A minha experiência diz-me que estas fitas se movem bastante e precisam de ser ajustadas. Não é uma coisa boa e é outra razão pela qual adoro partos em casa, se for possível e seguro fazê-lo! Para além do desconforto, por vezes as mães ficam ansiosas ao verem as contrações no ecrã e por terem de estar deitadas na cama sem poderem mover-se livremente. Poderá pedir para ser monitorizada periodicamente, para que possa andar e deste modo ajudar as coisas a progredir. Podem monitorizá-la a cada 30-45 minutos, o que será muito melhor!

Indução
A indução é efetivamente um grande tema e a meu ver, só deve ser utilizada se houver uma razão médica/emergência muito forte para tal. O bebé dá sinal ao corpo da mãe quando está na hora de iniciar as contrações rítmicas para o parto, logo isso não acontece até que o bebé esteja totalmente preparado física e emocionalmente, e há muita tendência para nos esquecermos disso. A indução não é um processo natural e não a vai ajudar a libertar as hormonas naturais para que possa acalmar-se e recuperar de cada contração. Além disso, a indução pode prolongar o seu trabalho de parto, tornar as contrações ainda mais dolorosas e rápidas numa fração de segundo. Tendo apoiado mulheres com trabalho de parto hormonal natural e induzido, posso afirmar que recomendo ter paciência e esperar que o seu corpo entre em trabalho de parto por conta própria, mesmo que isso signifique ter de lutar pelo seu direito de esperar. Não se esqueça que tem o poder de escolha!

Tomar uma epidural
Tomar uma epidural em caso de necessidade pode ajudá-la a aliviar a dor mas por outro lado irá distanciá-la do processo de parto. Cada um é como cada qual, muitas mães decidem aceitar, no entanto deve saber os seus benefícios e riscos. Além de ser difícil ficar quieta enquanto tem contrações e o seu anestesista tenta dar-lhe a epidural, terá de alternar de lado enquanto está deitada na cama e é monitorizada continuamente para detetar alterações na frequência cardíaca do feto, isto porque a epidural pode abrandar ou até mesmo parar completamente o trabalho de parto ativo. A epidural pode causar a diminuição repentina da sua pressão arterial, portanto será observada periodicamente para ajudar a garantir o fluxo sanguíneo adequado para o seu bebé. Nalguns casos, pode ter danos nos nervos para o resto da vida ou uma impressão sensível no local do seu corpo onde recebeu a epidural que dura alguns meses após o parto.

Além da epidural, terá um cateter, um tubo que drena continuamente na sua bexiga e que se torna extremamente desconfortável. É impossível mover-se da cintura para baixo e à semelhança do que me aconteceu, também poderá sentir tremores e arrepios, sob o efeito da epidural.

AA epidural não a afetará só a si, também pode afetar o seu bebé e a maioria dos estudos sugerem que alguns bebés terão problemas em "aprender" tornando mais difícil o processo de amamentação. Outros estudos sugerem que o bebé pode experienciar depressão respiratória, mau posicionamento fetal e aumento da sua variabilidade da frequência cardíaca. Uma vez que a epidural torna o empurrar/expulsar do bebé mais difícil, podem ser necessários medicamentos ou intervenções adicionais, tais como a necessidade de recorrer a outros procedimentos como as pinças, vácuo, parto de cesariana e episiotomia. Deve consultar o seu médico acerca das intervenções que ele usa geralmente nestes casos, para tomar efetivamente uma decisão informada. E perguntar-lhe mesmo sobre a sua percentagem de indução de partos!

Se estiver num hospital, não pode comer durante o parto
A razão para tal é pelo facto de, num hospital, terem de estar preparados para qualquer emergência, e no caso de ser preciso efetuar uma cesariana o estômago deverá estar limpo, para que se possa avançar com os procedimentos médicos necessários. Provavelmente poderá beber água e uma vez que usualmente o parto demora algum tempo a desenvolver-se, talvez seja melhor comer antes de ir para o hospital.

A sua equipa de enfermagem
Normalmente, no hospital, enfermeiras ou parteiras fazem turnos de 12 horas. Poderá começar com uma equipa e acabar com outra, prepare-se para tal e recomendo aos parceiros que sirvam de escudo para as mães e instruam cada novo membro da equipa sobre a sua situação, em vez de a tornar uma tarefa da mãe. Sejam gentis e respeitosos, eles estão lá para vos ajudar e tornar tudo mais fácil, devem ser um apoio e não mais uma pressão.br>
Ter um plano de parto preparado
Algumas pessoas gostam de lhe chamar um plano de trabalho de parto, mas sempre achei mais adequado denominá-lo como um plano de desejos. Nem sempre as coisas correm de acordo com o nosso plano. É bom informar os prestadores de cuidados de saúde dos seus desejos, mas também tranquilizá-los de que a sua opinião dos mesmos é importante para si, para tomar as suas próprias decisões sobre o desenrolar do trabalho de parto e parto. Por isso, tinha por escrito um plano de desejos formal, que trouxe, para falar primeiro com a sua parteira e/ou médico. Claro que todos desejamos um parto natural e livre de emergências, uma mãe saudável e um bebé feliz, mas podemos acabar com uma epidural ou uma cesariana, e se isso acontecer, tudo bem, continua a ser uma grande mãe e a prioridade deve ser sempre a segurança de ambos. Prepare-se o melhor que puder, sinta-se em sintonia e ligada ao seu bebé mesmo antes do nascimento, para que o seu bebé também seja um dos membros da sua equipa, ele também faz parte de todo o processo, e esteja aberta para que o seu bebé possa ajudá-la e guiá-la a tomar decisões.

Pode haver muitas pessoas na sala
Quando chega a hora do parto e novamente em cenário de hospital, poderá esperar bastantes pessoas por perto. Poderão estar lá médicos, enfermeiras ou parteiras e ainda estudantes de medicina, ficando o quarto cheio rapidamente, portanto deverá pensar em quem gostaria de ter presente para receber o seu bebé para além do seu parceiro, e tem todo o direito de exigir que não haja estudantes presentes, se realmente assim não o quiser.

Faça-se ouvir
É a sua vida, o seu corpo e o seu bebé. Acompanho muitas mães que já tiveram um bebé antes, que me dizem que gostariam de se ter defendido melhor durante o parto, por isso defendo a importância de estar bem preparada, de procurar os benefícios e riscos das suas próprias decisões. No meu primeiro trabalho de parto, o meu médico maravilhoso sugeriu-me que, no caso de haver uma decisão importante a tomar, faria a mesma pergunta três vezes, uma vez que pela sua própria experiência sabe o quão frágil e sugestiva uma mãe se pode sentir durante o parto, podendo dizer apenas que sim a um procedimento sem sequer pensar no que lhe estão a fazer a si ou ao seu bebé. Pode ter uma equipa fantástica como eu e ainda assim sentir que não está a ser bem tratada, e se isso acontecer não tenha medo de o dizer ou até mesmo de pedir outra pessoa para a acompanhar. Este tempo é seu e do seu bebé, para se encontrarem, deverá ser uma experiência positiva para ambos. Fale com o seu parceiro sobre isto, para que estejam ambos na mesma equipa e em sintonia, para que a possa apoiar e não questionar o seu instinto.

Fase da expulsão
Não esteja à espera de passar apenas por duas ou três contrações e de repente ter o seu bebé nos braços como vê nos filmes, a maioria das mulheres tem de empurrar durante muito tempo até que o seu bebé nasça. Ao empurrar, está a usar os mesmos músculos que usa ao fazer cocó, a maioria das mulheres fá-lo naturalmente, mas se estiver preocupada pode pedir para lhe indicarem quando empurrar ou não.

O anel de fogo
Quando atinge os 10 centímetros de diâmetro de abertura, os seus músculos e pele atingem o estiramento máximo, à medida que o seu bebé entra na vagina. Os lábios vaginais e o períneo (área entre a vagina e o reto) atingem eventualmente um ponto de alongamento máximo. Neste ponto, as mães podem sentir que a pele está a arder, tal acontecimento é chamado de anel de fogo, pela sensação de queimadura sentida à medida que os tecidos da mãe se estendem à volta da cabeça do bebé.

Dar à Luz
Assim que o seu bebé entra no mundo, seja qual for o tipo de parto, a mãe sente um êxtase enorme, a mãe sente-se no céu, uma alegria e felicidade intensas invadem o seu peito, o seu coração, por poder finalmente receber o seu bebé nos seus braços, tocar, acariciar, beijar, proteger. Muitas mulheres que tiveram o seu parto natural revelam que se sentem como se saissem do próprio corpo e só conseguem ver a Luz de um milhão de estrelas. Este é o culminar de toda a gravidez e trabalho de parto e o começo de uma nova vida.

Libertar a placenta
Mesmo depois do nascimento, ainda tem um pouco mais de trabalho pela frente, terá de voltar a empurrar para libertar a placenta. Este processo tanto pode ser fácil e suave, como pode ser difícil e doloroso no caso da placenta se partir. Na maioria dos casos este será apenas mais um processo natural para o qual o seu corpo está totalmente preparado, algumas mães até preferem colocar o bebé nos braços dos parceiros, para que se possam concentrar no último momento do parto.

Episiotomia
Durante anos, uma episiotomia (uma incisão cirúrgica do períneo e da parede vaginal posterior geralmente feita por um médico) foi pensada para ajudar a prevenir rasgos vaginais mais extensos durante o parto, curar-se-ia melhor do que um rasgo natural e ajudaria a preservar o suporte muscular e conjuntivo do pavimento pélvico. O que não podia estar mais errado! Nos dias de hoje, pesquisas sugerem que as episiotomias não previnem estes problemas e já não são recomendadas a menos que haja uma forte razão médica para tal. Caso precise de uma episiotomia e não lhe tenha sido dado qualquer tipo de anestesia, provavelmente irá receber uma injeção para anestesiar o tecido. Não deve sentir o seu médico a fazer a incisão ou a reparar a episiotomia, no entanto a recuperação pode ser bastante desconfortável.

Além disso, uma episiotomia tem os seus próprios riscos, por vezes a incisão cirúrgica é mais extensa do que um rasgo natural. É possível uma infeção e a episiotomia médica coloca-a em risco de rotura vaginal de quarto grau, que se estende através do esfíncter anal, para a membrana mucosa que reveste o reto. A incontinência fecal é uma possível complicação e algumas mulheres relatam dor durante o sexo nos meses após o parto.

Pontos
Se teve um parto natural ou se teve uma episiotomia terá de levar alguns pontos. O médico fá-lo-á logo após o parto do seu bebé e da placenta e normalmente, os pontos são absorvidos por si próprios. Dependendo se teve uma epidural ou não, pode sentir ou não. E depois também terá de os tirar passados alguns dias, a não ser que os mesmos sejam assimilados pelo seu organismo, se for essa a técnica que o seu médico utilizar.

Corte atrasado do cordão umbilical
Atrasar o tempo entre o parto de um recém-nascido e o corte do cordão umbilical tem grandes benefícios para o bebé, e cada vez mais hospitais estão a usar esta técnica, que era feita naturalmente nas culturas antigas e nos partos em casa. Normalmente é realizado 30 segundos a 5 minutos após o parto e permite que mais sangue seja transferido da placenta para o bebé, aumentando por vezes o volume de sangue da criança até um terço! O ferro presente no sangue da mãe também aumenta o armazenamento de ferro do recém-nascido, o qual é vital para o desenvolvimento saudável do cérebro.

Conhecer o seu bebé pela primeira vez
Informe o seu prestador de cuidados de saúde de que pretende segurar o seu bebé nos braços imediatamente após o parto e fazer o contacto pele-com-pele. Pode atrasar a limpeza ou os exames médicos ou até optar por fazer os exames médicos com o bebé nos seus braços. O contacto pele-com-pele funciona como magia para si e para o seu bebé, tanto física como emocionalmente, é o lugar natural para o seu bebé estar após o parto e é o que ele está à espera. Por isso, diga o que deseja, e mesmo que, por alguma razão não seja possível, não seja muito dura consigo mesma e lembre-se que em breve estarão juntos. Os partos em casa facilitam um ambiente acolhedor para si e para o seu bebé, os partos no hospital também podem ter um ambiente mais acolhedor se a mãe estiver preparada.

Amamentação
A primeira coisa que irá dar ao seu bebé a mamar é o colostro, que é como “uma bomba” de nutrientes, para ajudar o seu bebé a sobreviver e a recuperar do parto. O seu bebé consegue dormir durante horas depois disso! Nunca acordei os meus bebés para os alimentar, sejamos honestas, quem gostaria de acordar só para comer e voltar a dormir? Os bebés têm os seus próprios ritmos pessoais e se está tudo bem com o seu bebé, não há nada com que se preocupar, deixe apenas a natureza seguir o seu trajeto. Os primeiros 10 a 15 dias de amamentação são os mais desafiantes, deverá ter consciência disto. Mantenha uma equipa de apoio à sua volta ou alguém a quem possa ligar para a ajudar e encorajar. Os seus seios podem estar ótimos ou podem doer durante alguns dias, à medida que se ajusta à pega do bebé no seu peito e os seus mamilos se habituam ao mesmo. A amamentação pode ser exigente, mas é também extremamente benéfica, é mais uma vez o que o seu bebé está à espera, dado que é um processo natural. Existem fórmulas que acabam por salvar vidas, no entanto não deixam de ser artificiais e tudo o que partilhava com o seu bebé através do fluxo sanguíneo, os seus nutrientes, os seus pensamentos e emoções, está agora a partilhar através do seu "sangue branco", o seu leite! A amamentação será um novo capítulo e deve sentir-se tão preparada para o mesmo como estava para o parto, por isso comece a recolher toda a informação, os benefícios e possíveis desafios que poderão surgir e como os superar. É super importante!

Barriga mole e estrias
O seu corpo acabou de dar origem a um novo ser humano, em toda a sua complexidade, corpo, mente, emoções e energia, e a mãe tem agora a barriga mole e algumas estrias pelo seu corpo. Sim, acontece, deve amar-se a si e ao seu corpo ainda mais agora que é mãe. Tal como a mãe natureza não permanece igual quando uma nova flor nasce, o seu corpo também não irá manter-se igual. Tudo isto é a sua transformação como mulher. Os meios de comunicação estão constantemente a mostrar-nos mulheres, o corpo perfeito, mas nesta vida nada permanece igual. Tal como as luas, temos diferentes fases e esta deve ser uma das fases mais positivas para si e para o seu bebé.

Espero que tenha gostado deste artigo e a tenha ajudado a colocar em perspetiva as suas decisões futuras. O seu bebé precisa que você seja também a sua voz na altura da gravidez, parto e nascimento! E depois de toda esta viagem a mãe vai saber melhor reconhecer o seu verdadeiro poder
de ser mulher, a grande transformadora de energia em matéria. A gravidez e o nascimento são as canções da sua alma e o seu encontro consigo própria e conexão com o que de mais divino temos em nós.

  

Quem sou eu?

Olá! Eu sou Susana, sou educadora prénatal e professora de yoga. No meu dia a dia, se não estou com meus 3 filhos, eu ajudo e dou apoio às necessidades das novas mães e dos seus bebés. Sou a fundadora do Programa Yoga para Grávidas, Yoga pós-parto e Yoga para Toda a Família, autora do livro Yoga e Maternidade, membro da APPPAH (Associação de Psicologia e Saúde Pré-natal e Perinatal) e Presidente da Associação Norueguesa de Educação Prénatal. Para mim a gravidez, nascimento e maternidade conscientes envolvem uma conexão muito mais profunda connosco próprias, com o nosso corpo, com as nossas emoções, com o poder da maternidade em nós, e uma conexão mais profunda com bebé. Tenho mais de quinze anos de experiência como professora de yoga e hoje orgulho-me de ter ajudado centenas de mulheres um pouco por todo o mundo.


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O Livro

O livro Yoga e Maternidade é o primeiro livro em Portugal, de uma autora portuguesa, dedicado aos benefícios do yoga durante a gravidez, para aliviar o stress e o desconforto típicos deste período, e para estimular o vínculo entre mãe e bebé.

Começando pela sua experiência pessoal de três gestações, educadora pré-natal e experiência da prática do yoga por mais de 20 anos, Susana Lopes oferece neste livro uma série de técnicas de respiração, posições, meditações e relaxamentos, adaptados às necessidades específicas das mulheres e que lhes permitem sentirem-se mais presentes em todas as diferentes fases da sua gravidez, aumentando o seu bem-estar, autoconfiança e oferecendo uma maior conexão e comunicação com a vida que está a ser gerada dentro de si.

Esta é uma leitura inspiradora acompanhada de fotos, ilustrações e informação acessível a mães, professores do yoga e profissionais que trabalham com gestantes.

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